Quarta-feira, Maio 27, 2009

Obrigada a todos. PARA SEMPRE.


«E eis que, enfim, cerro a porta sobre a minha discussão. É bom estar só. Depois de todo o esforço para estar prevenido, para entender, para me pensar, para ser “coerente” (tão difícil...), para organizar as razões como quem entra em combate, depois de toda a fúria e alvoroço com que enfrentei a contradita dos outros, a minha publicidade e o meu ridículo - é bom regressar e estar só. Ouço a velha voz que me chama essa presença antiga que me espera - presença anterior a todo o meu pensar e que assim jamais discute comigo. Ah, como é fatigante ter razão.»


Vergílio Ferreira in, "Do Mundo Original"

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Quinta-feira, Abril 16, 2009

ADEUS


ADEUS


Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mão à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.


Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.


Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
e eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os meus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.


Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já se não passa absolutamente nada.


E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.


Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.


Adeus.


Eugénio de Andrade

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Segunda-feira, Março 09, 2009

Está na altura...


"Porque não voas?"

Há alturas na vida em que temos de voar. Não se sabe como nasce esse impulso; porém, sentimos que esse impulso nasce e temos de responder a esse impulso. Se não seguimos esse impulso vamos ficar marcados para toda a vida...


Baptista-Bastos, in "No Interior da Tua Ausência"

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Quarta-feira, Janeiro 28, 2009

Quase nada... Um dia!

"A felicidade não está no que acontece mas no que acontece em nós desse acontecer. A felicidade tem que ver com o que nos falta ou não na vida que nos calhou. Devo dizer-te que me não falta nada, quase nada."

Vergílio Ferreira, in "Em Nome da Terra"

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Terça-feira, Janeiro 27, 2009

Chamar-te-ei...




Madrigal


Tu já tinhas um nome, e eu

não sei se eras fonte ou brisa

ou mar ou flor.


Nos meus versos chamar-te-ei

amor...



Eugénio de Andrade

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Sábado, Janeiro 03, 2009

Precisamente isto.


"...só consegues tirar alguma coisa dos livros se fores capaz de pôr algo de teu no que estás a ler. Quer dizer, só se te entregares à leitura como a um duelo, como quem se mostra disposto a ferir e a ser ferido, a polemicar, a convencer e ser convencido, e, depois, enriquecido com o que tirou dos livros, disso se serve para construir qualquer coisa na vida ou no trabalho..."


Sándor Márai, in "A mulher certa"

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Sexta-feira, Dezembro 26, 2008

Até ao fim do fim. Para Sempre...

ATÉ AO FIM DO FIM





Então está tudo dito meu amor


Por favor não penses mais em mim


O que é eterno acabou connosco


É este é o princípio do fim





Mas sempre que te vir eu vou sofrer


E sempre que te ouvir eu vou calar


Cada vez que chegares eu vou fugir


Mas mesmo assim amor eu vou-te amar


Até ao fim do fim eu vou-te amar





Então está tudo dito meu amor


Acaba aqui o que não tinha fim


P'ra ser eterno tudo o que pensamos


Precisava que pensasses mais em mim


P'ra ti pensar a dois é uma prisão


P'ra mim é a única forma de voar


Precisas de agradar a muita gente


Eu por mim só a ti queria agradar





Mas sempre que te vir eu vou sofrer


E sempre que te ouvir eu vou calar


Cada vez que chegares eu vou fugir


Mas mesmo assim amor eu vou-te amar


Até ao fim do fim eu vou-te amar



Letra de Tozé Brito, interpretado por Ana Moura


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